Nota biográfica

André Almeida Paiva nasceu no Verão do furacão Andrew, a 25 de Agosto de 1992. A mãe garante-lhe que foi – e é – uma criança de temperamento torcido. Se o seu avô tivesse de costas voltadas para o tanque, a sua primeira memória, aliás, bem podia ter sido a última. Felizmente, graças a esse salvamento pôde abraçá-lo com força muitas vezes e chorar com alegria a sua memória. Filho primogénito, tem dois irmãos com nomes começados pela letra á. A amizade que une a sua família excede a moldura da fotografia sobre a mesinha de cabeceira, e tem tanto orgulho nela como vontade de dizê-lo (sem qualquer tipo de lamechice). É conimbricense, mas cedo aprendeu a subir às árvores. Lembra-se perfeitamente da noite em que apanhou pirilampos com um frasco de vidro e do dia em que a bola com os bonecos foi chutada para o milheiral. Ansiava pelo regresso às aulas e  gostava dos folhados mistos do intervalo das onze e quinze. Participou num interturmas de basquetebol de calças de ganga: a sua equipa ficou em terceiro lugar e esse dia não lhe fugiu da retina. Enquanto aluno teve sucesso, pelo que se tem treinado ante o fracasso, sentindo-se cada vez mais disponível para acolhê-lo como condimento essencial da vida. Formou-se enquanto Geólogo e escreveu uma dissertação de mestrado com um conto na Introdução. Do curso ficou-lhe a vontade irresistível de desconstruir paisagens e traçar o percurso entre o penedo e o grão de areia. Acredita que a Geologia pode ser uma disciplina poética mas admite que a palavra «calhau» nada abone a favor dessa tese. Aos doze anos ajudou a mãe a organizar questionários e daí extraiu a sua primeira remuneração (que esgotou em pacotes de batatas fritas). Trabalhou enquanto bibliotecário e no ano em que fez vinte e três começou a trabalhar num Museu de Ciência, em Estremoz. É um trabalhador realizado, sonha, projecta e esboça: hoje já se afasta mais da folha de papel. Medita e lê antes de se deitar, se pudesse escreveria a dormir e acorda cedo. Por vezes, em silêncio, ainda deseja ter voz. Está – e estará – como tudo, em processo… Para repetir a sua receita é precisa uma colher de sopa de confiança, uma colher de chá de insegurança, e chocolate em pó (muito). Bebe um copo de água com limão pela manhã e uma taça de colcheias. Estudou canto lírico e mostrou veia operática. Tem boas veias, e é dador de sangue. Tem o cabelo encaracolado e olhos da mesma cor do cabelo. Assina com os três nomes.